56. 1933 foi um ano ruim
Algumas questões
a) Outubro terminou e não falei mais nada sobre a serigrafia que havia prometido aqui.
É sempre complicado cumprir meus prazos neste processo tão sozinho de se fazer algo: escrever, desenhar, editar, manter o blog, tentar divulgar e tudo o que envolve este trabalho. Mas é importante estabelecer metas e tentar ao máximo cumprí-las.
Sendo assim, alguns prazos que vocês podem me cobrar:
Novembro:
1. novo diálogo no site.
2. Publicação online do terceiro capítulo da HQ.
3. Impressão de imagem conceitual em Silk.
Janeiro:
1. Publicação online do quarto capítulo da HQ.
2. Publicação impressa do primeiro volume contendo os quatro primeiros capítulos da HQ Promessas .
3. Publicação online dos quatro primeiros capítulos em inglês e em castelhano.
b) Quando ela sentenciou que o fim do ano chegasse logo pois este tinha sido um ano ruim, parei e olhei os dez meses que se passaram e o que falta deste 2009. Inevitável – ao tentar entender estes ciclos que definimos para tentar dar uma lógica ao tempo – pensar na pergunta-clichê: “o que te faz feliz?”.
Quase uma hora escrevendo um enorme texto que foi direto pra lixeira.
2009 é um bom ano. Quero que os dois meses que faltam passem bem devagar. 2010 vai ser foda.
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c) Fragmentos do texto O narrador de Walter Benjamin:
“Se a arte da narrativa é hoje rara, a difusão da informação é decisivamente responsável por esse declínio.
Cada manhã recebemos notícias de todo o mundo. E, no entanto, somos pobres em histórias surpreendentes. A razão é que os fatos já nos chegam acompanhados de explicações. Em outras palavras: quase nada do que acontece está a serviço da narrativa, e quase tudo está a serviço da informação. Metade da arte narrativa está em evitar explicações. (…) O leitor é livre para interpretar a história como quiser, e com isso o episódio narrado atinge uma amplitude que não existe na informação.
(…) A informação só tem valor no momento em que é nova. Ela só vive nesse momento, precisa entregar-se inteiramente a ele e sem perda de tempo tem que se explicar nele. Muito diferente é a narrativa. Ela não se entrega. Ela conserva suas forças e depois de muito tempo ainda é capaz de se desenvolver”.
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d) Trecho de El erotismo de Georges Bataille (se alguém tiver o texto em português é só mandar que substituo):
“Toda la operación erótica tiene como principio una destrucción de la estructura de ser cerrado que es, en su estado normal, cada uno de los participantes del juego. La acción decisiva es la de quitarse la ropa. La desnudez se opone al estado cerrado, es decir, al estado de la existencia discontinua. Es un estado de comunicación, que revela un ir en pos de una continuidad posible del ser, más allá del repliegue sobre sí. Los cuerpos se abren a la continuidad por esos conductos secretos que nos dan un sentimiento de obscenidad. La obscenidad significa la perturbación que altera el estado de los cuerpos que se supone conforme con la posesión de sí mismos, con la posesión de la individualidad, firme y duradera. Hay, al contrario, desposesión en el juego de los órganos que se derraman en el renuevo de la fusión, de manera semejante al vaivén de las olas que se penetran y se pierden unas en otras. Esta desposesión es tan completa que, en el estado de desnudez —estado que la anuncia, que es su emblema—, la mayoría de seres humanos se sustraen; y con mayor razón si la acción erótica, que completa la desposesión, sigue a la desnudez. El desnudarse, si lo examinamos en las civilizaciones en las que tiene un sentido pleno,es, si no ya un simulacro en sí, al menos una equivalencia leve del dar la muerte.”
55. Workshop
Um pouco em cima da hora, mas gostaria de convidá-los a participar amanhã, dia 29 de outubro (quinta-feira), do Workshop de história em quadrinhos que estarei ministrando no Centro Cultural Sol da Terra, em Florianópolis. A oficina é gratuita, parte da Mostra Multicultural de Florianópolis promovida pelo espaço.
O quê: Workshop de história em quadrinhos com Pedro Franz
Quando: 29 de outubro – 18:30 – 21h30
Quanto: Gratuito
Onde: Centro Cultural Sol da Terra
Av. Afonso Delambert Neto, 885 – Lagoa da Conceição
Florianópolis – SC
+ info: (48) 3232-2303
O aluno deverá portar bloco de papel A4 ou A3, lápis, borracha e possíveis materiais que tenha interesse em trabalhar (nanquim, pincéis, lápis de cor…). Os alunos serão orientados sobre a escolha destes materiais em função de seu trabalho, sendo importante a apresentação de uma amostra de suas obras. Não existe a necessidade de “saber” desenhar ou conhecer quadrinhos, mas sim, interesse em desenvolver uma pesquisa utilizando-se desta linguagem.
54. Concerto em “O” menor para harpa e nitroglicerina
De uma conversa entre Deleuze e Foucault.
DELEUZE: As vezes se concebia a prática como uma aplicação da teoria, como uma conseqüência; as vezes, ao contrário, como devendo inspirar a teoria, como sendo ela própria criadora com relação a uma forma futura de teoria. De qualquer modo, se concebiam suas relações como um processo de totalização, em um sentido ou em um outro. Talvez para nós a questão se coloque de outra maneira. As relações teoria-prática são muito mais parciais e fragmentárias. Por um lado, uma teoria é sempre local, relativa a um pequeno domínio e pode se aplicar a um outro domínio, mais ou menos afastado. A relação de aplicação nunca é de semelhança. Por outro lado, desde que uma teoria penetre em seu próprio domínio encontra obstáculos que tornam necessário que seja revezada por outro tipo de discurso (é este outro tipo que permite eventualmente passar a um domínio diferente). A prática é um conjunto de revezamentos de uma teoria a outra e a teoria um revezamento de uma prática a outra. Nenhuma teoria pode se desenvolver sem encontrar uma espécie de muro e é preciso a prática para atravessar o muro.
FOUCAULT: (…) E por isso que a teoria não expressará, não traduzirá, não aplicará uma prática; ela é uma prática.
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Do texto Os intelectuais e o poder, presente no livro, Microfísica do poder. Acho interessante acrescentar isso à conversa sobre teoria e prática iniciada aqui.
53. Impressões
Videozinho bobo apenas para mostrar uma edição preview (40 exemplares) de Promessas que levei para o 6º FIQ em Belo Horizonte.
Outra coisa ver a história impressa.
E o jornalista e escritor Romeu Martins, que antes me convidou para conversar sobre o trabalho, publicou um texto sobre Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo que pode ser lido neste link, no site Overmundo.
52. Copyleft. Manual de uso
Acabei de conhecer via BaixaCultura: Copyleft. Manual de uso, da Traficantes de Sueños, disponível para download aqui.

“Hace ya algún tiempo, el término copyleft saltaba los márgenes del código informático y se instalaba en todos los ámbitos de la producción intelectual. Todavía relativamente desconocido, torpemente pronunciado por los no iniciados, el copyleft se ha convertido sin embargo en la bandera de un movimiento cultural y político que reune a toda clase de creadores y trabajadores intelectuales: músicos, escritores, programadores, artistas, editores, juristas, mediactivistas y un larguísimo etcétera que amenaza con instalarse en cada rincón de la sociedad”.
Ainda não li, mas já recomendo.
50. Explicando imagens a um boi morto
Detalhe da capa da terceira parte de Promessas.
Antes, por baixo do vegetal amassado, fitas adesivas e fotografias, esta era a imagem que ilustrava o capítulo 3.
Farra do boi.
Lembrando ainda que continua o pedido para o envio de fotos 3×4 e para que os leitores participarem de nossas discussões. E, desde já, agradeço às pessoas que divulgarem, discutirem, comentarem ou disponibilizarem o trabalho em seus blogs, twitters, sites, redes sociais, etc. Muito obrigado a todos.
49. Oficina de História em quadrinhos e Ilustração
Com o objetivo de continuar as atividades iniciadas neste blog, gostaria de comunicar àqueles de Florianópolis interessados no estudo das histórias em quadrinhos, da ilustração e do desenho, o início das Oficina de História em quadrinhos e Ilustração ministradas por este que aqui escreve, Pedro Franz.
Uma breve descrição da oficina pode ser baixada aqui e para mais informações e inscrições: fone 48 8438.4255 ou através do email: pedrofranz@hotmail.com
48. Sobre Promessas até agora
Se você veio procurando o segundo capítulo de Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo, é só clicar aqui.
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Algumas coisas que escrevi enquanto Promessas começava a existir
Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo é um projeto de desenvolvimento e publicação de uma história em quadrinhos autoral e de ficção que busca utilizar o meio como mídia artística e espaço de diálogo com outras áreas, apoiando-se na capacidade dos quadrinhos de recombinar-se com outras linguagens, experimentando novas contaminações e brincando com códigos alheios.
É uma história sobre as reações e relações humanas no momento de consciência da iminência do fim. Ainda que se trate realmente do fim do mundo, ele aqui é tratado de forma metafórica, interessando-se mais pelos aspectos psicológicos e pela forma como os personagens reagem à sua chegada, do que pelos aspectos físicos – ou a causa em si do fim – apropriando-se do sentido etimológico do termo ‘apocalipse’, que em grego significa ‘revelação’.
Esta representação recebe aqui influência das imagens de artistas como Jeronimus Bosch, Pieter Bruegel, Suehiro Maruo, da fotografia jornalística de Benjamin Lowy, do estilista Aitor Throup, das imagens apresentadas no poema The dead flag blues, de Efrim Menuck, entre outros.
Discutindo a questão do heroísmo e aproveitando-se da tradição dos quadrinhos de contar histórias com esse tema, a obra apropria-se de elementos do gênero de super-heróis, recombinando-os e transformando-os para desenvolver algo próprio, criando um questionamento entre as relações de poder e a fragilidade pertinentes ao tema. Fazendo uma metáfora ao período da Ditadura Militar brasileira e ampliando a questão do herói.
O medo é o principal sentimento que leva à efetividade do terror, assim como de certas atitudes políticas. Desta forma, a obra traça um paralelo com manifestações contemporâneas – como a Batalha de Seattle, a Batalha de Gênova, Revolta da Catraca e a recente Revolta em Atenas – e uma visão pós-11 de setembro sobre a prática do terror, através da análise de grupos como Weatherman Organization, Baader-Meinhof, Movimento Zapatista e Luther Blissett. Este último, com suas notícias falsas fabricadas com o intuito de ridicularizar os meios de massa, exerce importante papel na obra. Através de um pseudônimo multiusuário, o grupo praticou sua auto-denominada “revolução sem rosto”. Em Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo é possível perceber influência das idéias do grupo, tanto de forma literal (através das máscaras e ações praticadas pelas personagens), quanto pelo próprio diálogo entre mídias e a disponibilização do conteúdo da obra de forma gratuita, permitindo sua distribuição e cópia.
O projeto pretende, ainda, estabelecer um elo entre alta e baixa cultura, lembrando que os quadrinhos são um objeto das culturas de massas, mas também uma linguagem com mecanismos específicos de produção e, assim sendo, com uma força ideológica própria, ocupando uma posição ambígua, um cruzamento entre massivo e marginal, entre visível e invisível, entre legítimo e ilegítimo. Seu caráter de visibilidade social não apagou sua intrínseca condição de objeto marginal.
Pensando nisso, e com o objetivo de disseminar o projeto para o maior público possível, tornando seu conteúdo democrático, cada capítulo da obra será apresentado primeiramente através da internet. Em um segundo momento, será produzida a obra impressa em português, efetivando assim, o projeto como uma graphic novel, como um livro de história em quadrinhos, já que o papel impresso continua sendo o espaço mais apropriado e aceito para este tipo de leitura.
Sobre o desenvolvimento do trabalho até agora
Tinha desde o princípio – e me interessva explorar isso – consciência de que o tempo seria uma determinante neste projeto. O Pedro que publicará o último capítulo da série lá pelo final de 2010, certamente não será o mesmo Pedro que começou a pensar e ter ideias sobre Promessas no começo de 2009, principalmente sendo este meu primeiro longo projeto com quadrinhos.
Quase três meses separam a publicação de um capítulo e outro. É bastante. E agora, acho importante tentar desenvolver o trabalho em um espaço de tempo menor.
Li uma entrevista com o Dash Shaw, autor do ótimo Umbigo sem fundo que ele dizia: “Mantenha o valor do aluguel baixo, more em um lugar onde possa ter um trabalho que ocupe pouco do seu tempo, para que você possa se dedicar à sua arte. E não arranje nenhum emprego que seja relacionado a design, ilustração ou quadrinhos – você vai se arrepender disso quando chegar em casa e não tiver vontade de desenhar as suas coisas”.
É por aí mesmo.
E lá vamos nós para o terceiro capítulo.
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Lembrando ainda que continua o pedido para o envio de fotos 3×4 e para que os leitores participarem de nossas discussões. E, desde já, agradeço às pessoas que divulgarem, discutirem, comentarem ou disponibilizarem o trabalho em seus blogs, twitters, sites, redes sociais, etc. Muito obrigado a todos.
47. CAPÍTULO 2
E aqui está o SEGUNDO CAPÍTULO da HQ Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo:
(para baixar a HQ, em formato pdf (4,4MB), click com o botão direito sobre o link e escolha salvar link como.
O arquivo está programado para abrir em modo tela cheia, para melhor visualização.
E caso você ainda não tenha lido o primeiro capítulo, é só clicar com o botão direito aqui ou na imagem.
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Lembrando ainda que continua o pedido para o envio de fotos 3×4 e para que os leitores participarem de nossas discussões. E, desde já, agradeço às pessoas que divulgarem, discutirem, comentarem ou disponibilizarem o trabalho em seus blogs, twitters, sites, redes sociais, etc. Muito obrigado a todos.










