72. Tipos
“Em um conto de Onetti que adaptou Sasturain, coloquei diferentes tipos de letras
para cada personagem porque cada um tinha vozes diferentes. Essas letras foram
feitas por mim. No caso de algumas outras histórias, também fiz as letras, como
por exemplo; a adaptação de Guimarães Rosa. E essas letras estão integradas ao
desenho. Com Guimarães, desenhei com um tipo de gravura muito antigo, muito
primitivo pelo clima que tem o conto, então as letras formam um todo com o
desenho”.
Alberto Breccia
71. Limbo
Lim.bo sm (lat limbu) 1. Fímbria, zona. 2. Rebordo exterior. (…) 8. Teol catól. Lugar intermediário entre o céu e o inferno , sem a felicidade celeste, nem as penas infernais (…) 9. Lugar para onde se deita coisa a que não se liga apreço. Pôr no limbo: deixar no esquecimento.
Eis a capa do primeiro volume de Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo. Lançamento dia 13 de março, na Livraria HQmix, em São Paulo (Praça Roosevelt, 142).
70. Nenhum sistema de signos seguros
Lembrando que continua o pedido para o envio de fotos 3×4. E que continuam abertos vários Diálogos. O último deles, ART & CASH: Qual o preço dos quadrinhos?, está apenas começando e conto com a participação dos leitores para darmos continuidade. Obrigado.

Título Barthes. Imagem Godard.
69. Estampida
Um desenho e um texto do capítulo quatro. Enquanto isso, entre escrever e desenhar, conversas com gráficas e locais para o lançamento. Muito trabalho por aqui.



(…) enquanto se movia sobre a cidade como um personagem de Chagal, nosso herói recordava apenas os bons momentos juntos à menina com quem se encontrara esta noite, fazendo-o acreditar que deixava atrás algo que entendia ser um grande amor.
68. O poder encantatório das palavras
Don’t get any big ideas
they’re not gonna happen, Radiohead.

Para não deixar passar em branco o 30 de janeiro, Dia do Quadrinho Nacional.
Dois recentes comentários sobre Promessas tiveram em comum o fato de dizerem não se tratar de um trabalho “revolucionário”:

1.
“Promessas de amor…” também tem toda uma identidade própria nas suas seqüências visuais. Nada de revolucionário, mas bem maduro”. Beto Leite (aqui) .
2.
“As histórias não são nada que se possa colocar no patamar de revolucionárias para os quadrinhos nacionais brasileiros, mas sob uma análise detalhada, podemos colocá-la na categoria de uma novidade espetacular”. Vini (aqui).

Sou novo nisso. Ainda me é estranho ver pessoas comentando meu trabalho. Ainda sinto vontade de alguma forma questionar, analisar e responder ao que disseram. As duas leituras do trabalho foram bastante elogiosas e creio que bastante atentas ao projeto e agradeço às palavras de ambos. É sempre bom ver as pessoas querendo discutir algo que você fez, dando importância àquilo. Obrigado.
Mesmo assim, apenas para dizer que esse tipo de pretenção, “criar um obra revolucinária”, na minha opinião, é coisa de artista romântico, coisa dos ismos do começo do século XX talvez. E creio que a crítica deve evitar esse tipo de frase tentadora, dizer que um trabalho novo é ou não “revolucionário”.
Não é algo que caiba aqui.
De qualquer maneira, lembrando Orwell e Bay, depois de toda revolução vem a inércia e é mais importante criar pequenos levantes.
Grato ao Vini e ao Beto pelos textos escritos. Que venham mais e mais leituras.
________________
Apenas para concluir: Criando um caminho inverso e usando como exemplo de obra recente e citada por muitos como “revolucionária” e “genial”, vale muito a leitura do que o crítico português Domingos Isabelinho escreveu sobre Asterios Polyp, aqui.
67. Invasões bárbaras
Alguns quadrinhos de cuja leitura creio não ter saído ileso.
Gogo Monster, Taiyo Matsumoto
Ars Simia Naturae, Frédéric Coché
Abstraction, Shintaro Kago
Ero-Guro, Suehiro Maruo
Jimmy Corrigan, Chris Ware
Umbigo sem fundo, Dash Shaw
Genesis, Robert Crumb
(não são todos trabalhos publicados em 2009, mas sim leituras feitas neste ano que passou).
66. Elisabete Anderle


Serve o presente post para compartilhar neste blog a notícia de que Promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo foi um dos projetos conteplados no Edital Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura, na categoria Artes Visuais.
Grato aos leitores e a todos que contribuem e tornam este trabalho possível. Muito obrigado.
65. Desordem
Junto ao autor de cada frase, segue o link de onde a retirei. Fica a recomendação da leitura completa dos textos aos interessados na leitura e no estudo dos quadrinhos. Na foto, desenhos de uma página do quarto capítulo.

“Nunca he sufrido un problema con la narración, como el que vos podés ver en las entrevistas a Francis Bacon, este grandísimo pintor inglés, que odiaba cualquier sospecha de narratividad en sus cuadros. Una vez dijo que él no podía poner dos figuras en un cuadro, porque eso ya quería decir que había una sospecha narratividad. Yo me maravillé”.
José Muñoz, em entrevista que pode ser lida aqui.
“Gosto das coisas que têm essa tensão, uma carga nervosa de ser feita de urgência, de ser feita ao mesmo tempo em que é criada. Histórias em quadrinhos em geral têm passos bem definidos de criação: roteiro, rascunho etc., e incluir essa surpresa e essa tensão requer pular essas etapas ou quebrar algumas regras. Não se ganha tempo com isso, mesmo pulando as etapas de roteiro e rascunho; acho que levo o mesmo tempo ou mais de uma produção nos moldes mais clássicos. (…) Significa que eu tento preservar a surpresa da criação no meu espaço de trabalho. Significa também que há poucas pessoas dispostas a te pagarem pra isso, mas isso não é algo tão drástico e importante. Isso muda a todo tempo e eu nunca imaginei viver de quadrinhos, já vivi de editar e publicar em alguns momentos da minha vida. E tem muita gente que segue as normas do quadrinho e também não está vivendo disso, então não chega a ser um drama.”.
Fábio Zimbres, aqui.
“I didn’t have a script. I had an outline of sequences, and I would just draw scenes and decide whether or not to put it in the finished book, or where to put it. Because of the quality of the drawing, it pushed the experience closer to writing”.
Dash Shaw, sobre Umbigo sem fundo, aqui.
“Todos que amam os quadrinhos se darão conta de que pela primeira vez todo comentário, interpretação e exegese se dão pelo desenho. É um trabalho mudo. Ele é subversivo porque nos remete à Bíblia de uma forma até hoje nunca feita, não religiosa, mas como um texto fundamental, que vem de nossas origens”.
Jean-Luc Fromental, editor francês de Genesis de Robert Crumb, em entrevista coletiva à imprensa internacional em outubro no Centro Georges Pompidou, em Paris (retirado de uma entrevista com Crumb, aqui).
“O desenho é entendido aqui como uma fabricação poiética, isto é, que é capaz de produzir as coisas (e não reflecti-las ou imitá-las, por exemplo). (…) Estes três livros são actos poiéticos, e é como tal que devem ser fruídos, e não como ocultando um possível e unificado sentido narrativo à espera de uma decifração cabal e definitiva”.
Pedro Moura, em LerBD sobre Spuk, de Niklaus Rüegg, Hic sunt leones, de Frédéric Coché, e Frag, de Ilan Manouach.
64. Abutre
Abandonando, aos poucos, a ideia de só retomar o blog com o quarto capítulo pronto.
(Dir. Coodie & Chike and Michael Sterling Eaton. A letra da primeira parte do vídeo é Robert Johnson)
Standing in the ruins
Of another Black man’s life,
or flying through the valley
He’s separating day and night.
“I am death,” cried the Vulture.
“For the people of the light.”
Charon brought his raft
from the sea that sails on souls,
And saw the scavenger departing,
taking warm hearts to the cold.
He knew the ghetto was the haven
for the meanest creature ever known.
In a wilderness of heartbreak
and a desert of despair,
Evil’s clarion of justice
shrieks a cry of naked terror.
Taking babies from their mamas
and leaving grief beyond compare.
So if you see the Vulture coming,
flying circles in your mind,
Remember there is no escaping
for he will follow close behind.
Only promised me a battle,
battle for your soul and mine.
He taking babies from their mamas
And he’s leaving
The Vulture, Gill Scott-Heron.
E, ontem, terminei Jimmy Corrigan. Obrigado, Sr. Ware!










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