O desejo de fazer Arte destrói sempre o melhor da cultura popular?
A pergunta que dá nome ao post é na verdade uma afirmação em seu lugar de origem, um texto de Rogério de Campos sobre Will Eisner, que pode ser lido aqui.
Em primeiro lugar, Rogério de Campos é alguém cujo trabalho respeito bastante, tanto por seu papel na Conrad, quanto com a finada revista Animal ou, ainda, como pelos textos sobre que quadrinhos que escreve, como o acima citado que grifo a seguir algumas linhas:
“O problema aqui é outro: Eisner tentar fazer com que sua obra e os quadrinhos em geral fossem considerados uma das Belas Artes(…) Todos sabemos o mal que a idéia de Arte fez com qualquer coisa da cultura popular: veja o que aconteceu com o jazz ou o rock. Não foi diferente no mundo dos quadrinhos. E, é triste ter que admitir, não foi diferente com Eisner. Sua luta por respeitabilidade passou a se refletir em seu traço, nas ambições de seus roteiros, nos diálogos”.
Acho que o texto deve ser lido, mas não estou de acordo com sua conclusão, não apenas se tratando de Eisner, mas principalmente da relação entre quadrinhos e Arte.
Partindo disso, queria propor um pequeno diálogo, saber a opinião dos leitores deste espaço sobre o tema. E claro que aqui, não interessa discutir Eisner, nem se trata de apenas comentar o texto de Rogerio de Campos (ele é apenas um ponto de partida para este debate), mas sim, as relações entre quadrinhos e Arte, entre cultura popular e alta cultura, então:
O desejo de fazer Arte destrói sempre o melhor da cultura popular?
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Tenho algumas coisas guardadas pra outubro. Uma delas é imprimir em serigrafia (três cores) e com uma pequena tiragem numerada e assinada o desenho abaixo.
Desta pequena tiragem do desenho impresso, vou guardar um destes pôsteres para dar para um dos que deixarem suas opniões nas conversas ali ao lado (DIÁLOGOS) a partir de agora (e até quando os pôsteres já estiverem prontos), valendo tanto aqueles que deixarem comentários para esta conversa que se inicia quanto para as antigas, dentro deste período de tempo.
Não se trata de “a melhor resposta ganha” e nem sei se vai ser um sorteio. Sei que uma das pessoas que comentarem ganhará um exemplar do pôster mas depois eu determino quais os critérios. Ia fazer isso de qualquer jeito, mas decidi aproveitar a ideia para incentivar quem entra aqui a participar das conversas que estão um pouco paradas.
Em breve vou dando novas informações. É importante que, em todos os comentários feitos, se coloque o nome e email, por favor, para eu poder identificar a pessoa. Espero que gostem da ideia do pôster e que de alguma forma isso seja um incentivo para se gerar uma discussão com mais gente participando.
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Diálogos anteriores:
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Obrigado a todos que deixarem seus comentários. E continua o pedido de envio de fotos 3×4!

Iai cara! ja tinha lido essa matéria da trópico a uns meses atrás e também achei o comentário dele “maniqueísta” – arte é ruim, popular é bom – o que eu acredito é que os quadrinhos tanto podem ser arte como podem ser uma linguagem popular e nos dois casos atingir ótimos resultados (ou não…).
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E mesmo que a vontade de transformar o quadrinho tenha derrubado um pouco a qualidade do trabalho do Eiisner (só na cabeça do Rogério) e um sacrifício valido, primeiro por que sem essa ambição os quadrinhos ainda estariam relegado as tiras infanto-juvenis, segundo, por que era um área totalmente nova pro Eisner, na época que ele começou a produzir suas novelas gráficas os quadrinhos estavam começando a expandir seus horizontes e os quadrinhos de super-heróis não eram maioria, eram praticamente todo o mercado da época.
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A opinião do Rogério me pareceu mais uma opinião de fã traido que de um profissional da área…
Não entendo muito de Eisner, mesmo a discussão não sendo sobre ele sinto que um conhecimento maior sobre a sua obra me ajudaria a formular uma posição mais sólida, porém entendo um pouco de História. Como estudante de Licenciatura em História, já participei de algumas conversas sobre cultura, mesmo assim apenas responder a pergunta “O que é cultura?” já deve dar um trabalho.
Porém tendo lido a obra de Carlo Guinzburg, intitulada O Queijo e os Vermes, acredito que toda esse pensamento sobre “essências” e ambição seja um tanto sem sentindo. Analisando a obra de Guinzburg, nos podemos notar que mesmo no período Medieval e Renascentista havia uma troca entre cultura popular e erudita, a ponto de serem encontrados nos pertences de um moleiro livros eruditos. Provavelmente historietas populares, semelhantes a literatura de cordel, poderiam ser encontradas entre pertences de nobres.
Ora se acontecia por volta do século XV ou XIV (provavelmente em outras épocas também) por que tal troca não ocorreria em nosso tempo? Hoje em dia com um computador e internet se pode ter acesso a todo o tipo de cultura, sim é uma frase batida, mas é uma frase que exprime o momento que vivemos.
O que quero dizer é que não é tão importante se Eisner queria ser reconhecido como um artista, ao menos não em uma época em que uma mulher ou um homem, que posem para uma revista, ou apareçam em um reality show, recebem o título de artista.
Por fim, meu conceito pessoal de arte, consiste em utilizar uma técnica, seja musical, gráfica, etc, para exprimir seus sentimentos. Nesse sentido uma tirinha de desenhos de “palitinho”, como muito vemos na internet, tem tanta importância quanto uma obra prima de um pintor Renascentista. Mesmo um “uivo” e os acordes simples de Leadbelly, valem muito mais que toda toda a técnica de muitas peças clássicas.
Pra quem quiser saber mais sobre o livro de Guinzburg nesse link informações gerais
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?sid=93020925212413568233975967&nitem=1376160&sParc=googlecl1376160&gclid=CN7Gj4CrhKECFQUf7godrjQCbQ
As vezes tenho a impressão que expressões culturais marginais, como os quadrinhos, não podem almejar ser Grande Arte com o risco de perderem sua essência. Claro que só nessa frase já falei duas besteiras: Grande Arte e essência.
Toda linguagem tem limitações, mas acreditar que uma boa história em quadrinho só pode existir em um ambiente underground, desligado da produção e definição de arte contemporâneas ou de regras de mercado e produção massificada é inocência e idealismo.
É o mesmo caso com o rock, citado no artigo, enquanto o cara é sujo e “não está nem aí” ele é verdadeiro, aí se ele almeja algo diferente está fazendo uma coisa que deturpa o essência do rock.
Olha “a essência” ai novamente.
Isso é uma definição típica de quem gosta de rótulos. Sejam as grandes artes, hoje perdidas em tautologias e cercadas de estranhamento, sejam os quadrinhos tidos como independentes, onde os autores não ligam para o que se pensa deles. Ligam sim.
O ponto é que, por ter nascido como cultura popular e usar uma mídia barata(papel) não quer dizer que os HQs tenham de ser só isso. Também não quer dizer que eles tenham que ser Grande Arte. Eles podem ser diversas coisas, no fim é a intenção do autor de abordar determinados temas com determinadas linguagens que vai definir se o quadrinho produzido é comercial, underground, artístico ou seja lá o rótulo que quiserem colocar para vender melhor para determinado público.
Narrativa sequêncial quer dizer que são imagens que colocadas em uma determinada ordem contam um história. Qualquer história.
Concordo plenamente com o Arackawa. Se foi necessário para Eisner “sacrificar-se” para expandir as fronteiras dos quadrinhos ótimo. Agora mais pessoas podem olhar para HQs de maneiras mais diversificadas.
Olha, é muito fácil dizer que os quadrinhos devem ser manifestações “marginais”, underground ou seja lá como for, mas daí os quadrinhos só vão estar ao alcance das grandes metrópolis, ou de quem tem dinheiro.
Eu falo muito pessoalmente pois alem de não ter acesso a muita coisa boa por morar em uma cidade meio interior de SC, e principalmente não ter grana, quem vai pagar as minha contas quando eu quiser porduzir alguma coisa? Se os quadrinhos fossem para poucos, para uma cultura underground, cult, e etc., iriamos ter de escrever para um punhado de gente e não lucrar (financeiramente) nada com isso.
Mas de qualquer maneira a cultura pop (das mulheres bonitas, da mídia, do BBB, etc.) é a única coisa que pode degradar qualquer manifestação artística(como na música onde pessoas não informadas consideram cada porcaria como de boa qualidade) e isso ja pegou, com Marvel, DC, etc.
Pra mim quadrinhos ja é arte, só não sei como vai ser meu ganha pão…
Cara, quem ja leu Frank Miller, Alan Moore, Neil Gaiman (só pra citar os mais famosos) sabe que dentre os quadrinhos existem sim obras-primas, e acredito que o escritor não deva ter frescura, basta escrever algo que preste, assim como no rock, eu estou pouco me lichando como ele se veste, se comporta, ou pensa, o que importa é a música, tem de ser boa.
Minha opinião é que Arte é para o Artista, o que é mostrado é o que sobra. Simplesmente porque eu acredito no poder do processo. Ele é a parte mais importante da obra – por isso tantos movimentos artísticos do século passado quiseram integrar a experiência artística com o espectador. Neste meu ponto de vista a Arte se torna algo um tanto egoísta.
Por um outro lado a Arte que é colocada para o espectador -o que sobra, o resto do processo, o digerido – aparece em lugares diversos e, muitas vezes, contraditórios, na galeria, na rua, na TV, em casa…o que de uma forma ou de outra a vejo massificada. E esse aspecto eu nunca vi com bons olhos. O consumo da massa é algo tenebroso e, por isso, um dos mais rentáveis.
Uma outra coisa a resalvar é o conceito de cultura popular. A cultura popular é sempre relacionada com o passado – pois é assim que se faz cultura, com tempo – mas eu acredito tambem que as porcarias que a gente ve no país hoje em dia também é relfexo da nossa cultura. Eu acho cultural a corrupção no Brasil por exemplo, infelizmente; há 500 anos ela está presente, e todo mundo quando pode abusa um pouquinho pondo a desculpa no sistema. Típico. Cultura popular é isso aí; esse todo, bom ou ruim. E aquele que toma apenas o bom a superficializa – a elitização do RAP, e do samba, a elitização do grafitte…perde o sentido.
Concluindo então (e finalmente) eu acho que a cultura é a cultura, o bom dela não existe. E considerando Arte um processo particular torna-se aleatório o uso da cultura popular ou não. Ou seja, o desejo de fazer Arte não tem nenhuma relação com a cultura popular. Mas pelo amor de Deus, vamos deixar bem claro que dinheiro é outra estória. Se eu quisesse viver de Arte eu teria me graduado Gestão de Negócios e não Arte Visuais. Arte é para o bem, para o zen, para o espírito. Coloque dinheiro na história e o que vemos é tudo se fuder.
Típico da cultura popular
Olá, Pedro
Ainda não li o artigo, portanto não tenho o que comentar por enquanto.
Usei teu desenho prum microconto no Tumblr (http://pulpdrunk.tumblr.com/post/197810879/the-anarchic-condition-of-a-self-destructive). Espero que goste.
Abraço.
I just love your weblog! Very nice post! Still you can do many things to improve it.
Olá, obrigado aos que já deixaram aqui seus comentários.
Acho bem interessantes as coisas ditas por Caetano e de como complementam o que Arackawa havia escrito. Ainda assim, acho que não devemos considerar a opinião do autor de “opinião de fã”, ele mesmo refuta essa ideia no texto e, mesmo assim, não acho que se trate disso. Acredito então que, para sua leitura, podemos considererá-lo uma estratégia.
Li hoje um texto do Foucalt no qual ele dizia que “para que uma determinada relação de forças possa não somente se manter mas se acentuar, se estabilizar e ganhar terreno, é necessário que haja uma manobra”. Creio que ambos, tanto o texto de Rogerio de Campos, quanto seu objeto criticado – o papel de Eisner – atuam como uma manobra para estabelecer um entendimento sobre o lugar dos quadrinhos, mas com propósitos opostos: enquanto Eisner buscava uma legitimação para os quadrinhos, Rogerio de Campos parece demonstrar que os quadrinhos não necessitam do aval de nenhuma outra disciplina artística.
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Henrique, discordo bastante com várias das coisas que disseste aqui. Entendo que o artista construa seu trabalho pensando em questões pertinentes a ele próprio e não ao público, mas mesmo assim, quem “termina” a obra é o leitor, cujo olhar assume, muitas vezes – creio poder se dizer – o papel de co-autor de um trabalho. E acho um pouco ingênuo pensar que dinheiro é um elemento que pode se dissociar assim da arte. Acredito, e tento não utilizar a palavra de forma pejorativa, um pouco hippie essa associação, principalmente aliada a este “arte é para o bem, para o zen, para o espírito”. Mas concordo que o dinheiro nunca deveria ser o fim, o objetivo de um artista.
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Wilson, gostei do microconto. Uma pergunta: já o tinhas escrito e usaste meu desenho para ilustrá-lo ou o texto surgiu ao veres a imagem?
E creio que este último comentário de buyvirgx trata-se de um spam. Mas não deixa de ser simpático ter um “I just love your weblog!” ali.
Espero que a conversa continue, que sigam aparecendo diferentes interpretações sobre o tema, ou sobre o que aqui já se disse. É importante não só discordar, mas também complementar, responder ao que já foi dito. Acho muito válido e importante, ainda, os que quiserem citar aqui algum autor, seja ele falando de quadrinhos, ou de outros âmbitos pertinentes à conversa.
E, por favor, das coisas que disse aqui, acredito que todos conseguem perceber que são opiniões pessoais minhas (como não poderiam deixar de ser) e que são impressões que também estão abertas à discussão. Não são verdades, naturalmente. Às vezes, é importante “querer ver se aquilo pode ser dito ou até que ponto pode ser dito”.
Pedro,
Fiquei pensando sobre sua resposta e faz sentido. Mas fiquei refletindo se no momento do leitor a arte passa a ser meio de comunicacao e deixa de ser elemento de interacao pratica. Nao quero dizer que arte nao possa ser meio de comunicacao – compreendo voce quando diz que o leitor “termina” a obra (o leitor so termina, nao participa do comeco nem do meio). A obra quando pronta ja nao pertence mais ao artista, eh da relacao com todos os outros que a arte se auto-comunicara. O que quero dizer eh a perda do potencial artistico que a obra tem ao ser finalizada pelo artista.
Quem vive mais a arte? O leitor da poesia ou o maestro das palavras que compos a poesia?
Outra coisa: Que mal tem o ponto de vista hippie sobre a arte? hahaha
Se o hippie eh subversivos, desde quando a arte se encaixou no sistema capitalista?
Abracao e adorei nosso encontro
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Bom, desconfio bastante dessa estratégia de canonizar qualquer coisa para que ela seja Arte – sobre a lamentação de Rogério sobre a tentativa de Eisner. Claro que é de uma inocência o que digo, pois no meu metier (Literatura) mais se reflete sobre a produção alheia do que se produz, ou melhor, a produção é, em maior parte, sobre a obra dos outros do que própria, (o que é próprio afinal?) o que tolhe um pouco o sentido do fazer. E destruir é de uma facilidade!
Acho riquíssima a discussão aqui, pois acredito no poeta-crítico ou desenhista-crítico, quer dizer, qualquer fazedor-crítico. Pois entendo que é a partir dos fazedores que se cria um ambiente de discussão honesto, que lide com os elementos específicos da criação no lugar em que se está. Essa coisa de tentar convencer alguém de que o que se faz é digno de celebração e honra é no mínimo impositivo.
E, de repente, o fazer é já uma constatação de um espaço e é assim que leio esse lugar aqui. Como uma possibilidade e um fato, por isso opino, pra que ele continue. Afinal, sem leitores, não há mesmo possibilidades.
Bom, é só lembrar, por exemplo, da indignação de um Augusto de Campos sobre a crítica brasileira maniqueísta do seu tempo, que de tão indignado, resolve escrever um livro de crítica sobre a poesia concreta que “ninguém entendeu”. Bom, enquanto tivermos espaço para discutir elementos intrínsecos às artes, ela já é, como diria alguém:
“Já é”.
E vejo um sentido zen em tudo isso, naquilo que “está” e não “é”. No impermanente, naquilo que não cessa de não querer ganhar forma pra se desfazer em seguida.
Bom, abraço, Pedro, muito legal o seu projeto.
Apenas para acrescentar ao que aqui foi dito, o já citado Pedro Moura:
“A banda desenhada é, quase sempre, tomada como um todo, e não na sua variedade autoral, de estilos e de escolas artísticas, de fitos e de propósitos, de formas e modos. E, para mais, é quase sempre pautada pelos seus exemplos mais visíveis, i.e., mais comerciais e pertencentes ao âmbito das nostalgias ou das mais estreitas memórias de cada um, ao invés de inserida numa história de continuidades e experimentações internas a ela mesma. Evite-se, portanto, uma apreciação “emotiva”, que tanto se pode revelar numa atitude negativista – “nada na banda desenhada é digno de atenção estética” – ou numa atitude heróica e cega – “a banda desenhada é superior a x”.
Mas Popular não é Arte? Se por Arte vamos entender amoldar a mercado, então nem é arte nem é Cultura Popular. É Produto.
A Cultura Popular eu entendo como aquela que surge da manifestação espontânea de tradições e talentos. Na Arte, se é que há diferença, posso só imaginar uma formação acadêmica que lhe dê suporte. Sendo espontânea, a Cultura Popular prescinde da Academia. Agora, se falamos em distribuição, venda, etc, falamos de uma indústria e então chegamos ao conceito de Produto. O ajuste de qualquer manifestação artística ao Mercado i e, a empresas que trabalham certos nichos, então não há como escapar à homogeneização, ao compromisso de retorno financeiro, à pressão de acionistas e pagamento de bônus a executivos. Nesse caso, popular nem sempre é manifestação artística mas imposição de vendas. Não há leitor, há comprador.
Olá Pedro. Olá a todos.
Vamos a algumas definições: arte é algo cujo objetivo é INSPIRAR.
É dela que um engenheiro tira uma ideia mirabolante e é dela que um médico tira forças para ir trabalhar no seu turno de 12 horas. Sem a arte, seja pela TV, seja impressa, tais profissionais não seriam capazes de fazer seu trabalho. Somos nós, os artistas, responsáveis por recarregar a bateria da sociedade.
Isso é, apra os antigos, a chamada “Alta Arte”, algoq ue até faz sentido uma vez que se tornou necessário a divisão já que arte é tudo que entretêm, portanto uma nova definição: arte é entretenimento, alta arte é inspiração.
Portanto, arte é algo popular e é SIM direcionada ao povão, sem eles não teríamos público! Se, o saudoso povão iriamos comer o que? Arte?
Se a arte destrói o melhor da cultura popular? Não, ela dá vazão e fomenta a criação e discussão. Podemos dizer que Restart é ruim, que Eisner é bom, mas sejamos francos, se tudo isso for colocado lado a lado, tempo de trabalho x público, Restart dá de 10 a 0 em MUITA GENTE! Não, eu não sou fã mas a verdade é que eles tem o feeling da arte popular, eles sabem tocar a multidão e por isso fazem sucesso. Isso nos leva a uma equação matemática:
Minoria + Riqueza = Alta Arte
assim como
Povão + Pouca Renda = Arte
portanto
Restart está para Povão assim como Eisner está para Minoria
Logo
Restart é o melhor representante popular.
O desejo de fazer Arte destrói sempre o melhor da cultura popular?
Não, pois precisamos fazer arte e ela é o resultado do melhor de nossa cultura popular. Os chamados “lixos” e “pops” são apenas o fruto do trabalho dos criadores da Alta Arte.
Ah, eu NÃO gosto de Restart ¬¬