Arquivos

Arquivos Mensais:fevereiro 2011

“A legião de admiradores foi aumentando, mas até o mais fiel deles terá que apelar ao amor pela banda para não criticar a bagunça que é The King of Limbs. É preciso gostar cegamente do quinteto para enxergar pelo menos uma proposta musical nas oito faixas. (…) Sem as amarras do rock convencional, o Radiohead se sente livre para fazer o que quiser, mesmo que não passe de acordes dispersos que tentam criar “climas”. Tudo bem continuar a servir de objeto de culto de seus seguidores fanáticos. Mas já está na hora do bando de Thom Yorke parar de ser chamado de banda de rock” - Thales de Menezes, na Folha de São Paulo (aqui).

 

 

Parte 3.

Dizem: ¨a parte mais importante de uma história em quadrinhos é o roteiro¨.

Eu não acredito nisso.

É como dizer que a letra é parte mais importante de um música, ignorando tudo o que é instrumental, tudo que não é palavra. A sentença anterior separa algo que não necessariamente nasce separado. Assim como quadrinhos não são literatura (dizer isso é o mesmo que dizer que cinema é teatro) ou tampouco “literatura com imagens” (como gravar uma peça não é cinema), a frase parece dizer que uma boa história em quadrinhos deve: a) contar uma história b) da melhor maneira possível e c) que o leitor a entenda. Os quadrinhos são entendidos como um enorme todo falsamente eclético no qual são colocadas “todas as vertententes” dessa mídia. Um grande universo  que parece tentar discutir com os mesmos parâmetros Justin Bieber e John Cage. Em ambos casos tende ao erro.

Aliás, no meio dos quadrinhos, é bastante comum ver certas “manias” eternamente repetidas, como o uso do rótulo “quadrinho adulto”. A Vertigo, por exemplo, utiliza-o como slogan: “Quadrinhos adultos para leitores maduros”. De forma simplista, se levarmos para outra mídia é muito próximo a algumas series de televisão americana. O que a Vertigo faz é entrenimento de qualidade. O que a Vertigo faz, na maioria de seus títulos, não me parecem ser quadrinhos adultos. E tenho, pra mim, que boa parte de seus leitores são jovens (para não dizer adolescentes). E isso não tira em nada o mérito e a qualidade dos títulos da Vertigo. Pelo contrário.

É dessa relação que ainda existe para muitos que fazem (e lêem) quadrinhos de buscar apenas uma suposta “qualidade” da oratória e não analisar o que ali está sendo dito. Como se não importasse o discurso ou a atitude, mas sim se quem está discursando sabe falar bem. E só. Nos custa perceber e admitir que podemos gostar de algo que, de fato, abominamos. “Como eu gostei do filme, me entusiasmou e eu não sou fascista, não pode ser um filme fascista. Que nos leva ao paralogismo que todos conhecemos: eu sou de esquerda; gosto de chocolate. O chocolate é de esquerda”. Admitamos: Monteiro Lobato era racista (2). E Frank Miller é, cada vez mais, o típico fascista americano (3).

Texto não são apenas as palavras que aparecem escritas ou aquilo que acontece em uma história. Texto é tudo que se lê.

O roteiro é uma das partes. O importante é sempre o todo. O grande quebra cabeça que une todas as pequenas partes de um trabalho. Que faz uma obra ser o que ela é.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.